Ajuda ao Suriname amplia papel da China na América do Sul

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Ajuda ao Suriname amplia papel da China na América do Sul

Mensagem por Johnny-Five (J5) em 13/04/11, 10:51 am

A elegante nova sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros aqui em Paramaribo, capital do Suriname, foi um presente do governo chinês. Símbolos chineses em centenas de empresas, dos cassinos às mercearias e lojas de móveis, saúdam os moradores da capital. Equipes de trabalho chinesas estão pavimentando estradas através da floresta.

Ancorada por uma onda de imigração ao país latino-americano, intermitente desde os anos 90, e auxiliada com presentes como ajuda e empréstimos a juros baixos, a China tem silenciosamente estabelecido uma base no Suriname, um minúsculo canto da América do Sul que é muitas vezes esquecido até mesmo pelos seus vizinhos.

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Shou Xian Pany (2º à esq.) cozinha e vende comida chinesa em Paramaribo, Suriname

Enquanto a ajuda econômica tem sido certamente bem-vinda no Suriname, anteriormente conhecida como Guiana Holandesa, a crescente importância política e demográfica dos chineses gera preocupações que vão desde o pedido xenófobo de alguns líderes políticos locais para a investigação do que eles chamam de "invasão chinesa" até esforços mais moderados para decifrar o sentido crescente da influência que a China terá em um país que já está distante linguística e culturalmente do resto da América do Sul.

"O que virá a seguir? Guiana chinesa?", perguntou John Gimlette, um britânico que publicou este ano o livro Wild Coast, sobre o canto esquecido da América do Sul – Guiana, Guiana Francesa e Suriname.

A China, que construiu uma embaixada em Paramaribo, que ofusca a envelhecida Embaixada dos Estados Unidos na capital do país, insiste que não tem planos de fazer do Suriname uma colônia. Em vez disso, a China retrata sua crescente influência aqui como um reflexo de solidariedade com outras nações em desenvolvimento.

Ainda assim, as autoridades chinesas reconhecem que o Suriname, que é aproximadamente do tamanho da Flórida, mas com uma população muito menor, de cerca de 500 mil habitantes, é rica em potencial.

"O Suriname é um país de sorte, pois tem uma pequena população e muita terra", disse Yuan Nansheng, embaixador chinês no Suriname, em uma entrevista.

A China, que teve boas relações com os líderes anteriores do Suriname, também alimentou uma estreita relação com o presidente Desi Bouterse, uma figura controversa, que até sua eleição pelo Parlamento no ano passado era fugitivo da Interpol por causa de uma condenação por tráfico de cocaína em 1999 na Holanda.

Diplomacia

O embaixador Yuan disse que se encontra com Bouterse pelo menos uma vez por mês, mais ou menos o mesmo ritmo de reuniões que tinha com Robert Mugabe, presidente do Zimbábue, onde serviu como embaixador antes de vir para o Suriname.

Yuan disse que a China não tem nenhum problema com as questões em torno do passado de Bouterse, mesmo que o presidente também continue a ser julgado pelo assassinato de 15 opositores no início da década de 80, quando ele instalou um governo militar depois de participar de um golpe. "É claro que gostaríamos de convidar Bouterse para visitar a China", disse Yuan.

Entretanto, embora seja difícil conseguir números precisos, acredita-se que a China tenha emergido como o principal fornecedor de ajuda ao Suriname, depois que a Holanda convenientemente terminou investimentos de ajuda importante aqui na época da eleição de Bouterse no ano passado.

Além do novo edifício do Ministério das Relações Exteriores, projetado e construído por empresas chinesas, a ajuda da China ao Suriname inclui assistência militar, a construção de habitação de baixa renda, um plano para obter energia renovável a partir de cascas de arroz, ajuda para o cultivo do camarão e uma atualização da emissora de televisão estatal.

A crescente presença da China pode facilmente vislumbrada em uma viagem de Paramaribo para o campo. Trabalhadores de uma empresa chinesa, a China Dalian International, trabalham sob o sol escaldante para modernizar as estradas do Suriname. Eles vivem em acampamentos na beira das estradas que estão sendo esculpidas através das florestas.

Imigrantes

Em algumas partes do Suriname, as preocupações sobre a possibilidade de alguns trabalhadores chineses permanecerem ilegalmente após o fim dos vistos tem levado ao debate sobre se as empresas chinesas devem ser autorizadas a trazer os seus próprios trabalhadores para o país, possivelmente privando algumas pessoas do Suriname de empregos.

Em um exemplo, um projeto de óleo de palma chinês na província oriental de Marowijne suscitou apelos de Ronnie Brunswijk, um líder dos Maroons do Suriname, que são descendentes de escravos fugidos, para que os chineses na área fossem limitados a cargos de gerência.

Mais amplamente, a chegada de milhares de novos chineses nas últimas décadas gerou um debate sobre o efeito do fluxo dos imigrantes. Alguns veem resultados positivos. "Eles investem em todos os cantos do país", disse Noel Hassankhan, dono de um restaurante, referindo-se às lojas de comida chinesa. "Eles oferecem variedade de produtos, preços baratos e ficam abertos até tarde da noite".

As estimativas variam sobre o número de chineses que vivem no Suriname neste momento, mas a embaixada da China diz que são cerca de 40 mil, ou 10% da população, incluindo imigrantes legais e ilegais. Outros, citando os escândalos de autorizações de residência obtidos ilegalmente, dizem que o número pode ser maior.

Como outras partes do mundo que recentemente atraíram imigrantes chineses, principalmente a África, muitos dos recém-chegados são comerciantes ou proprietários de pequenas empresas. Em partes de Paramaribo e cidades do interior, lojas de produtos chineses já podem ser encontradas em quase todos os quarteirões.

Esses imigrantes enfrentam numerosos desafios. Muitos optam por ignorar o holandês, a língua oficial, e se comunicam com os clientes e funcionários em sranan, uma língua crioula que faz uso pesado do inglês. Os chineses proprietários de lojas e suas famílias também estão expostos a crimes violentos, incluindo roubo e assassinato.

"Precisamos de barras de aço para nos proteger", disse Lin Yubo, 25 anos, proprietário de uma loja chinesa em Atjoni, uma aldeia no interior. Ele e sua esposa, que chegaram no Suriname há cinco anos, vivem em sua loja atrás de um grosso portão de metal. "Esta é a vida no mato", disse ele.

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Jovens chineses esperam para jogar basquete em Paramaribo, capital do Suriname

A crescente comunidade chinesa no Suriname tem dois jornais diários e uma emissora de TV com 15 funcionários que transmite programas em mandarim. "O Suriname é um portal para América do Sul e o Caribe, portanto a população chinesa tem crescido rapidamente", disse Thomson Cheung, 57 anos, diretor da emissora, que chegou ao Suriname nos anos 1970.

Histórico

A imigração chinesa para o Suriname não é nada nova. Os primeiros trabalhadores chineses chegaram ao país em meados do século 19 e muitos em gerações posteriores se casaram com crioulos de raça mista.

Mas o recente fluxo de milhares de pessoas tem sido mais notável, em parte porque muitos dos recém-chegados estão visivelmente envolvidos no comércio, em contraste com os brasileiros, outro grupo imigrante de rápido crescimento do Suriname, que trabalham principalmente em minas de ouro remotas no interior do país.

Alguns especialistas em imigração, citando estimativas da imigração chinesa em outros países na América do Sul, dizem que as preocupações sobre a influência da China aqui são exageradas. As empresas canadenses e americanas, por exemplo, continuam importantes na indústria de mineração do Suriname. Em termos absolutos, eles apontam, mais chineses se mudaram para países vizinhos como Brasil e Venezuela.

Mas o tamanho do Suriname significa que o fluxo é impossível de ignorar. "O Suriname é basicamente uma aldeia com um assento nas Nações Unidas", disse Paul Tjon Sie Fat, um estudioso do Suriname na Universidade de Amsterdã, que escreveu extensamente sobre a influência da China no Suriname. "Qualquer pequena mudança no equilíbrio étnico ou social é imediatamente percebido”.

*Por Simon Romero

Fonte: IG

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