João Pimenta se inspira na roupa dos padres e no look militar

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João Pimenta se inspira na roupa dos padres e no look militar

Mensagem por Convidad em 02/02/11, 08:18 am

Talento da Casa dos Criadores, João Pimenta estreou na São Paulo Fashion Week em junho do ano passado e surpreendeu com um D. Pedro surfista numa coleção que combinava a família real brasileira de 1800 com o surfe contemporâneo. Dessa vez, misturando roupas de padre e look militar, seu desfile é um dos mais esperados da temporada do outono/inverno 2011 na Bienal. Moda masculina bem cortada e polêmica é a especialidade de João, que agora quer lançar a linha A para os homens inspirando-se na liturgia da igreja. Para completar, lança um vídeo com os rapazes de saia lembrando batina nas escadarias da Catedral da Sé.


João Parente desfila linha A com rapazes com moda masculina polêmica (Foto: Rogério Ortiz/Divulgação)

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Pela primeira vez que os homens vão usar a silhueta trapézio
Iconoclastia? Não, “com todo o respeito, é uma forma de destacar esse tipo de roupa clerical”, diz João Pimenta. “Sem contar que os padres são os homens que podem usar vestido e ninguém reclama. Quis trabalhar o evasê, a silhueta trapézio pois não tinha visto ainda essa forma na moda masculina. Encontrei na liturgia uma forma de justificar essa escolha. Tem também uma pitada de militar para deixar a imagem mais masculina”, contou João, que bordou trigos inspirados nos elementos presentes na igreja.~

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Mineiro de São Sebastião do Paraíso, norte de Minas Gerais, ele garante que continua no paraíso. “Não saí da roça. Tenho um sítio a uma hora de Ibiuna com cavalos, uma vaquinha, um boizinho e muitos cachorros”, garante o estilista, que foi morar em Ribeirão Preto aos 4 anos. Aos 10, graças a um projeto da Polícia Militar, foi parar como aprendiz nas Casas Pernambucanas. “De lá para cá só penso nisso”, diz João, que tem 9 irmãos, 32 sobrinhos e custou mas aprendeu a se orgulhar das congadas capitaneadas pelo pai João Pimenta Fernandes.

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“Meu pai era capitão de congado, tradição folclórica que deu origem ao samba, marginalizada na minha infância e que custei a aceitar. Na congada todas as fantasias são possíveis: você pega uma toalha de mesa põe nas costas e vira rei e o escorredor de macarrão se transforma em coroa”, lembra João, que desfilou 10 coleções na Casa dos Criadores. “Na do inverno 2008 criei bandeiras de congada, bordei com tampa de garrafa e entrei na passarela com banda de congada ao vivo cantando. Acabei assim com as travas do meu passado e aprendi que podia transformar o pauperismo da minha família em conceito”.

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Primeiro desfile: rapazes de cintura marcada e quadris grandes
João Pimenta trabalha o contraponto do feminino com o masculino, do pobre com o rico. Seu objetivo é “realçar a anatomia masculina com a ajuda dos truques de modelagem da roupa feminina. A revolução industrial achatou a roupa masculina. Adorei visitar o Museu do traje em Madri, onde vi roupas de uma época em que havia lugar para os ombros, os joelhos, os cotovelos”, afirma o estilista, que em seu primeiro desfile para a Casa dos Criadores, fez sucesso desfilando rapazes de cintura marcada e quadris pronunciados.


Parente apresenta coleção minimalista e alongada (Foto: Rogério Ortiz/Divulgação)

Desfile desta quarta-feira (2): minimalismo em paletós e saias que lembram batinas
A coleção de hoje, entretanto, vem minimalista e alongada em paletós-batinas com fendas frontais “para facilitar a vida dos meninos”. “As botas tem o bico para cima meio fálicas”, explica o estilista, para quem não existe público alvo. “Não acredito que a marca tenha que buscar um público alvo. Acho que as pessoas que se identificam com seu trabalho vêm naturalmente a você. As roupas são feitas para divertir. Tenho cliente velho e moço, evangélico e maluco beleza. As roupas que mostro na passarela não são as mesmas da loja. O desfile é um momento de show e passarela não é para entregar uma roupa mastigada mas para criar discussão.”

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João acredita que o homem brasileiro está aberto a propostas. “Faltam estilistas buscando coisas novas e a indústria também não colabora”, afirma o estilista, que trabalha num ateliê na Rua Mourato Coelho 676 todo grafitado por artistas como John Howard (americano radicado no Brasil hoje com 72 anos e precursor do grafite), pelos desenhos de Pato e pelas carrancas feitas em spray por Ninguém Dorme, artista street cult do momento. Há seis anos ele cultiva uma parceria com os artistas, transpondo as pinturas e os desenhos para estampas nas camisetas.

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Fonte:G1

Grato,
Pedro Miguel
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